19/03/2019 09h26

Ribas do Rio Pardo – MS - 75 anos, Conheça a História desde a sua criação

 

A cidade nasceu a partir da inauguração da Estação Ferroviária Ribas do Rio Pardo em 12 de outubro de 1914. Do entorno da mesma iniciou o povoamento e em 19 de março de 1944 foi emancipada recebendo o nome de Ribas do Rio Pardo.


Divulgação

Estação Ferroviária de Ribas do Rio PardoEstação Ferroviária de Ribas do Rio Pardo

HISTÓRIA DE RIBAS DO RIO PARDO

As terras que atualmente formam o Município de Ribas do Rio Pardo, foram devassadas, nos meados do primeiro terço do século XVII, pelos bandeirantes paulistas, que, partindo de São Paulo, seguiam os Rios Tietê e Paraná, subiam o Rio Pardo, venciam o varadouro para Camapuã, daí partindo em busca das terras do norte e das minas de Pascoal Moreira e Sutil.

As terras de Ribas do Rio Pardo não seduziam os sertanistas, cujo objetivo era o ouro ou da prata aos Índios para os trabalhos que se desenvolviam nas lavouras de Piratininga ou no litoral.

No período compreendido entre 1822 e 1840, com a abertura da estrada de Piquiri e consequente abandono da rota do Rio Pardo, os Garcias deram início ao povoamento de Santana de Paranaíba.

Em sua esteira segue o mineiro Joaquim Francisco Lopes, sertanista audaz e irrequieto que inicialmente se instala nas margens do Rio Paraná, com fazenda de criação de gado. Abandona a propriedade e dá largos a seu espírito de aventuras, percorrendo todo o extremo sul do Estado, inclusive parte do Paraná e São Paulo; para logo a seguir, se achar em Cuiabá, acertando com o Governador a abertura da estrada de Piracicaba.

Em 1835, arranchado nas barrancas do Rio Paraná, encontra o cuiabano Eleutério Nunes que lhe relata a existência dos campos e aguadas do Rio Pardo, com excelentes perspectivas para a criação de bovinos.

No ano seguinte, parte o sertanista em direção ao Rio Pardo, demarcando novas posses e distribuindo-as a companheiros seus vindos de Santana do Paranaíba; dando assim início à povoação da região de Ribas do Rio Pardo.

Estação Ferroviária de Ribas do Rio PardoEstação Ferroviária de Ribas do Rio Pardo

Apesar do registro de vestígios das monções jesuíticas e da passagem ou mesmo curta permanência de expedições exploratórias, a formação do povoado se deu somente por volta do ano de 1900, quando se registrou concretamento a fixação dos primeiros moradores; os irmãos João e José dos Santos, mineiros de Uberaba que fixaram residência e comércio próximo à confluência dos Rios Botam e Pardo.

Outros moradores para ali se deslocaram, oriundos de Santana do Paranaíba, em companhia do capitão Manoel Garcia Tosta (Laura). Posteriormente, afluíram ao pequeno povoado os baianos Vitorino Pereira da Silva, Agrícola Sancho da Silva, Antônio Aparecido, José Alves, Francisco Alves de Araújo e Estevão Pereira de Almeida; o paulista Justino Rangel e o mineiro Modesto Luiz de Oliveira, pioneiros que muito contribuíram para o seu desenvolvimento.

Um dos fatores mais importantes para o progresso de nova povoação foi a chegada dos trilhos da atual Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e a inauguração da Estação local, no dia 23 de julho de 1914, ligando Ribas do Rio Pardo aos grandes centros urbanos.

Em 1915 foi criado o Distrito Policial, sendo nomeado seu primeiro sub-delegado Antônio Aparecido.

Em 1918 é criado a primeira escola, tendo como professor José Coleto Garcia. Em 1919 foram instaladas a Coletoria Estadual, sendo nomeado Coletor Arnaldo de Oliveira Palma e a Agência do Correio, sendo titular D. Mercedes.

Pela Resolução 856, de 7 de novembro de 1921, foi elevado à categoria de Distrito de Paz, com a denominação de Conceição do Rio Pardo, sendo nomeado Juiz de Paz titular Estêvão Pereira de Almeida.

O topônimo atual adveio do Rio do mesmo nome que banha as terras do município.

Estação de Ribas do Rio PardoEstação de Ribas do Rio Pardo

**Formação Administrativa **

Em divisões territoriais datadas de 31-12-1936 e 31-12-1937, figura no Município de Campo Grande o Distrito de Rio Pardo.

No quadro fixado para vigorar no período de 1939/1943, o distrito permanece no Município de Campo Grande.

Elevado à categoria de município com a denominação de Ribas do Rio Pardo, por Decreto-Lei Estadual nº 545, de 31-12-1943, desmembrado de Campo Grande e Três Lagoas. Sede na Localidade de Ribas do Rio Pardo.

Constituído do Distrito Sede. Instalado em 19-03-1944.

No quadro fixado para vigorar no período de 1944/1958, o município é constituído do Distrito Sede.

Pela Lei Estadual nº 1123, de 17-11-1958, é criado o Distrito de Bálsamo e incorporado ao Município de Ribas do Rio Pardo.

Em divisão territorial datada de 1-07-1960, o município é constituído de 2 Distritos: Ribas do Rio Pardo e Bálsamo.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 15-07-1999.

A cidade nasceu a partir da inauguração da Estação Ferroviária Ribas do Rio Pardo em 12 de outubro de 1914. Do entorno da mesma iniciou o povoamento e em 19 de março de 1944 foi emancipada recebendo o nome de Ribas do Rio Pardo.

Centro histórico de Ribas do Rio PardoCentro histórico de Ribas do Rio Pardo

As terras para a passagem da linha e a construção da estação foram doadas pelo proprietário da fazenda Rio Pardo, José Colleto Garcia. A estação teria sido construída próxima à povoação que ali se formava devido às obras de construção do pátio ferroviário.

Logo em seguida já se tornaria sede de um distrito policial. Em 1920 criou-se também o distrito de paz.

Em 2006, a estação ainda estava de pé, desativada desde os anos 1990.

(Depoimento de Carlos Almeida em 22 de fevereiro de 2010).

"Eu e meu pai fomos até Ribas do Rio Pardo com o trem que ia até Campo Grande e pernoitamos. A ideia era pegar no dia seguinte o trem de Corumbá. Só que ele chegou em Ribas com três horas de atraso e lotado. Fomos em pé até Campo Grande. Um casal que iria descer nos cedeu os lugares. Em Campo Grande, o trem ficou mais de 40 minutos para completar o desembarque/embarque, tal era o volume de gente e bagagens. Isso foi no início dos anos 1990. Quantos carros tinha o trem? Sei lá. Nem deu para contar. E chegamos em Corumbá por volta das 23h. Chutando, deveria ter uns 20 carros".

HISTÓRICO DA LINHA DO TREMHISTÓRICO DA LINHA: A E. F. Itapura a Corumbá foi aberta a partir de 1912, entre Jupiá e Água Clara e entre Pedro Celestino e Porto Esperança, deixando um trecho de mais de 200 km entre as duas linhas esperando para ser terminado, o que ocorreu somente em outubro de 1914.

A partir daí, a linha estava completa até o Rio Paraguai, ao sul de Corumbá, em Porto Esperança; somente em 1952 a cidade de Corumbá seria alcançada pelos trilhos. Logo depois da entrega da linha, em 1917, a ferrovia foi fundida com a Noroeste do Brasil, que fazia o trecho inicial no Estado de São Paulo, entre Bauru e Itapura. E em 1975, incorporada como uma divisão da RFFSA, foi finalmente privatizada sendo entregue em concessão para a Novoeste, em 1996.

(Fontes: José H. Bellorio; Carlos Almeida, 2010; IBGE, 1959) Fotos de 1922 a 2001 de José Henrique Bellorio. Foto de 2015 de Augusto Machado.

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